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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sobre perspectivas e sobre ser mãe


     Pedro chega da escola e reclama todo bravo:
- Mamãe, meus amigos não precisam escovar os dentes depois de comer, só eu!
- E eu tô ligando pra isso, garoto?! Eu agora sou mãe dos seus amigos?! O importante pra mim é você estar bem alimentado, você tomar banho todos os dias, você chegar à vida adulta com todos esses dentes aí, inteirinhos na sua boca! Pq que vc acha que eu repito tanto essas coisas pra você e só pra você, não para os seus amigos?
- Acho que é por que você gosta de encher só o MEU saco...
     Pourran! Eu é que encho o saco?!

domingo, 22 de novembro de 2015

Papo de menina

     Nanna, Juju, Pedro e eu estávamos no quarto, todos dobrando as roupas que eu acabara de tirar da secadora.
    Nanna e eu estávamos conversando sobre tipos de absorvente. Nisso a Juju, toda interessada, fez um bando de perguntas. A certa altura ela indagou:
- Mamãe, mas quando é que eu vou ficar menstruada?
- Não tem como a mamãe saber, Juju. Acho que vai demorar mais um pouquinho mas vc já tem idade para ficar. Pode acontecer a qualquer momento.
- Ah! Não!!!
     Então o Pedro, em pânico e com o olhos arregalados manda essa:
- Ai, meodeooos, mãe! E eu? Quando é que eu vou ficar?!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Verdade ou consequência 2

     Eu sou a favor de enganar as crianças. Aliás, eu adoro fazer isso. Sou a favor de olhar bem no fundo dos seus olhinhos brilhantes e mentir descaradamente. Sou a favor de inventar coisas muito doidas e enfiar na cabeça delas como se isso fosse a coisa mais real do mundo. É isso aí, não nego, sou fã de carteirinha do Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Fada do Dente e seus amigos. Eu sou muito fã dessa magia, dessa inocência, desse sonho que envolve esses personagens! No que diz respeito a mim, nesse assunto eu minto mesmoooo! Aqui em casa eu rebolo, invento e faço o que eu posso para viver essa delícia que é, a cada data mágica, fazer realmente a mágica acontecer. Pena que hoje em dia as crianças sejam tão malandras e isso acabe cada vez mais cedo. Não tem jeito, um dia a casa cai. 
     Já contei aqui como foi quando a minha primogênita descobriu. Foi um tremendo choque para ela. Hoje chegou a vez da minha Jujubinha. Ela do nada (já que não está na época de nenhuma festa) afirmou, super sentida, que o coelho da Páscoa não existe. Juro, fiquei sem chão. Ela falou com uma tristeza e principalmente, com uma certeza, que eu vi que não ia ter jeito a não ser abrir o jogo. Mais triste é saber que quando cai um, caem todos. Daí ela contou de onde veio a pergunta: nas férias, a prima dela, Natalie, mais nova que ela, mostrou-lhe uma foto que eu postei no Instagram, na qual eu estou desenhando as pegadinhas no chão. Caraca, isso tem uns quinze dias pelo menos! Pensa quanto tempo ela ficou refletindo o assunto pra me contar e me perguntar! Tadinha! Ainda pediu para eu não brigar com a Naná! Eu não vou brigar, eu vou torcer o pescoço! Kkk Aff! Sou muito a favor da inocência e muito contra crianças em redes sociais!!!
     Deu tanta pena! O mundinho dela desabou, sabe? Ela chorou compulsivamente, chorou tão magoada, foi de partir o coração... Engraçada foi a história que eu lembrei na hora. Quando ela tinha uns dois anos e a Nanna nove, a idade que ela tem agora, era Natal e a Nanna quis fazer uma carta. Bruno e eu observando a Nanna chamar a Juju para ajudar com a cartinha. Daí a Juju vira e fala na cara da Nanna: 
- isso não existe, são os nossos pais que compram. E a Nanna:
- Julia, para de falar besteira, sua maluquinha! Vamos fazer a carta senão ele não vai saber o que nos queremos de presente e blá blá blá.
     Para animá-la um pouco, combinei que na próxima festa nós vamos juntas "enganar" o Pedro. Ela até deu um sorrisinho mas a tristeza imperou por aqui hoje.
   

sábado, 11 de julho de 2015

Interpretação

     No penúltimo dia de aula da Juju e do Pedro no Energia, a escola e os seus amiguinhos resolveram fazer uma festa de despedida. A Rose falou comigo antes para combinarmos o dia certinho. Eu achei muito fofo, principalmente porque a ideia partiu das crianças.
     No dia marcado, quando fui pegá-los, estava ansiosa para saber como tinha sido! Assim que eles entraram no carro perguntei:
- E aí, criançada, tudo bem? Foi tudo bem hoje?
E a Julia na maior animação respondeu:
- Sim, mamãe! Hoje foi muito legal! Fizeram uma festa comemorando que a gente tá indo embora!
- Hahahhaha (eu caí na gargalhada, claro)! Não foi exatamente isso, mas eu entendi, filhinha!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Que mundo é esse?

     Tô na cozinha fazendo o almoço e ouvindo música, na radio tocando Maria Rita: "não sou freira nem sou putaaaaa"... Nisso entra Pedro indignado e esbaforido:
- Mamaaaaãe! Você ou-viu is-so?! - falou separando bem as sílabas kkkk.
- É, filho, eu ouvi - me segurando pra não rir.
- Não, mamãe! Vc ouviu mesmo? Quer que eu fale as letras?!
- Precisa não, meu filho, eu ouvi mesmo.
- Que que é isso, meodeoos? Que rádio mais sem noção!


     Não é um fofo esse meu filhotinho?! E pensar que numa giradinha do dial: "sabe o q ela quer?" Aff! 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Vício

     Só não falo que vício é uma merda pq eu tenho dois, um bom e um ruim. Meu maravilhoso vício bom é o meu marido! Nunca me canso, nunca me sacio e nunca vou conseguir ficar sem! Hehehe! Mas geralmente vício é sim, uma merda. Meu vício ruim é roer unhas. Caraca, eu sou mulher feita, sou vaidosa! Tenho uma coleção de esmaltes de fazer inveja, adoro! Como assim, né? Muito ridículo isso!
     Uma das minhas primeiras lembranças é com quatro anos, minha mãe pedindo para eu parar com esse terrível hábito e eu prometendo para ela que quando nós mudássemos de apartamento (estávamos de mudança mesmo!) eu iria parar. E claro, não parei. Eu era um molequinho quando pequena. Fiquei mocinha bem tarde, a vaidade demorou para chegar. Quando eu tinha uns dezoito anos resolvi que eu adoraria ter unhas grandes. Resolvi não, percebi. Mas te juro, era algo inatingível! Era missão impossível! Roer unhas é algo que vc faz sem nem perceber que está fazendo. Coloquei unhas postiças, naquela época elas eram bem toscas, super grossas, eu conseguia destruí-las. Tentei de tudo. Sou bem feliz em dizer que consegui parar. Na verdade é melhor dizer que eu quase consegui. Eu fico com unhas grandes e lindas mas se estiver passando por um momento de muita tensão eu destruo o que leva meses para conseguir em menos de cinco minutos. Se fico muito distraída, arranco todo o esmalte. É tenso, é doido, é um exercício diário. 
     No Pedro, desde bem pequenininho, toda vez que eu ia cortar as unhas dele, os dois indicadores sempre estavam com as unhas todas esfoladas. Como Pedro é uma verdadeira pestinha, eu nunca dei muita bola. Só que de repente todos os outros dedinhos ficaram assim. Putz, não! Caraca, não, não, não! Hoje em dia com tanta doença e alcool gel espalhados pela cidade, roer unhas é caso de saúde pública! kkk! Eu conversei com ele, comecei a cortar as unhas o mais curto que fosse possível, cheguei a cortar dia sim, dia não. Poxa, eu realmente estava chateada e triste por ele. Que mais que eu podia fazer? Eu mesma não sou o melhor exemplo, eu sei que a gente faz sem notar e eu não tenho como vigiá-lo 24 horas por dia. 
     Ainda bem que meu filhão também tem um vício bom. Posso dizer que ele é viciado em carrinhos. Ele é tarado, aficionado. Tem trocentos! Experimenta entrar com ele numa mega loja de brinquedos e mandá-lo escolher qualquer coisa. Ele vai pegar um carrinho hot wheels!!! As pessoas me perguntam desde que ele nasceu o que ele vai querer de aniversário. A resposta nunca muda: hot wheels. Mas poxa, custa só 6 reais, elas respondem. Sorte de vcs, não? Quer gastar mais, ok, compra tudo de carrinho! Hahahaha!
     Eis que me veio então a ideia! 
- Filhão, tô vendo que está difícil para vc parar com essa mania nojenta (me senti a maior cara de pau falando isso!). Então quero te propor um acordo. Daqui a uma semana vou cortar suas unhas - marquei no calendário para ele visualizar e entender melhor. Se vc tiver unhas para cortar, te dou um carrinho. Se não tiver, vou doar esse carrinho para uma criança que o queira mais do que vc. 
     Daí peguei o carrinho e coloquei num lugar que ele visse o tempo inteiro. Então, sete dias depois, fui cortar as unhas dele. Tinha unha para cortar! Engraçado que em algumas dava para ver que ele tinha roído uma parte, porém percebera e parara, que fofo! Foi difícil pra caramba de não rir!
- Filhão, mommy tá muito orgulhosa de vc. Consegui cortar várias unhas! Muito legal, meu amor! Viu só como vc consegue?! Mas olha: pecebi que vc escorregou um pouquinho e roeu algumas. Vamos fazer o seguinte: voou fingir que não percebi e vou te dar o carrinho mas na outra semana quero essas unhas bem inteirinhas, tá? 
     Dei para ele o prêmio da semana, peguei outro carrinho e coloquei no mesmo lugar que estava o que ele ganhou. Tinha que ver a cara dele! Em parte ele estava super feliz que poderia ganhar outro carrinho mas na real, acho que ele não tinha entendido direito que seria uma semana após a outra de "prêmios". Acho que ele achou que só teria que ficar uma semana sem roer as unhas! Tipo: Não! Mais uma semana sem poder roer? Será que eu vou conseguir? Eu quero tantoooo esse carrinho! Ahahahhahah!
     Esse processo se repetiu por muitas semanas. A cada semana eu percebia um avanço mas sempre tinha um pedaço roído, sempre nos indicadores! Depois, começou a intercalar semanas sem nenhum deslize com um pedacinho roído. E assim se passaram vários meses, com muitos prêmios e elogios e palavras de incentivo, até que ele parou totalmente. Foi realizador como mãe. Me encheu de felicidade perceber que mesmo tão pequeno, a força de vontade dele foi tão grande. 
     Te amo demais, meu filhão lindo! Muito orgulhosa de vc. Pode parecer besteira pros outros mas eu entendo perfeitamente a batalha que você venceu. Uma batalha que dependia apenas de você. Parabéns, meu amor! Orgulho me define!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Divisão

     Estamos acertando, finalmente, a mudança para Brasília. Alugamos um apto bem menor do que a casa que moramos atualmente em Ctba (pq o valor por lá é bem mais salgado) mas conseguimos um apto super bacaninha com um condomínio bem legal, com a maior estrutura para crianças. Como o apto é menor, Julia e Nanna dividirão o quarto. Com a carinha do gato de botas Jujuba virou pra mim super hiper cheia de charme e perguntou:
     - Mamãe, dessa vez eu posso dividir o quarto com o papai?
     E antes que eu me matasse de rir ela completou:
     - Pufavorzinho, mãe! Vc já dividiu com ele nessa casa, né? Eu deixo vc dividir com a Nanna!
    
     Não consigo nem comentar. Ainda estou rindo. Ai, ai...